VIII
Jason
JASON E A RUIVA, QUE SE APRESENTOU como Rachel, colocaram Piper no sofá
enquanto Annabeth apressou-se pelo corredor para pegar um kit de primeiros socorros.
Piper ainda estava respirando, mas ela não acordaria. Ela parecia estar em algum tipo de
coma.
“Temos que curá-la,” Jason insistiu. “Tem um jeito, certo?”
Vendo-a tão pálida, mal respirando, Jason sentiu uma onda de proteção. Talvez
ele realmente não a conhecesse. Talvez ela não fosse sua namorada. Mas eles
sobreviveram no Grand Canyon juntos. Eles passaram por todo esse caminho. Ele a
deixara de lado por um instante, e isso aconteceu.
Quíron colocou uma mão na sua testa e fez uma careta. “Sua mente está em
frágil estado. Rachel, o que aconteceu?”
“Eu queria saber,” ela disse. “Assim que cheguei no acampamento, tive uma
premonição sobre o chalé de Hera. Eu entrei. Annabeth e Piper entraram enquanto eu
estava lá. Conversamos, e então — eu simplesmente apaguei. Annabeth disse que falei
numa voz diferente.”
“Uma profecia?” Quíron perguntou.
“Não. O espírito de Delfos vem de dentro. Eu sei como sente. Era como a uma
longa distância, uma força tentando falar através de mim.”
Annabeth passou com uma bolsa de couro. Ela ajoelhou-se do lado de Piper.
“Quíron, o que aconteceu lá — eu nunca vi nada parecido. Eu já ouvi a voz de profecia
de Rachel. Era diferente. Ela soou como uma mulher mais velha. Ela pegou os ombros
de Piper e lhe disse —”
“Para libertá-la duma prisão?” Jason chutou.
Annabeth olhou para ele. “Como você sabia disso?”
Quíron fez um gesto de três dedos sobre o coração, como uma proteção contra o
mal.
“Jason, conte para elas. Annabeth, a bolsa de remédios, por favor.”
Quíron pingou gotas de um frasco medicinal na boca de Piper enquanto Jason
explicava o que aconteceu quando a sala congelou — a mulher escura na névoa que
alegou ser o patrono de Jason.
Quando ele acabou, ninguém falou, o que fez ele se sentir mais aflito.
“Então isso acontece sempre?” ele perguntou. “Ligações sobrenaturais de
condenados exigindo que você os tire da cadeia?”
“Seu patrono,” Annabeth disse. “Não o seu pai olimpiano?”
“Não, ela disse patrono. Ela também disse que meu pai havia lhe dado a minha
vida.”
Annabeth franziu a sobrancelha. “Eu nunca ouvi falar de nada assim antes. Você
disse no céu que o espírito de tempestade — ele alegou estar trabalhando para alguma
mestra que estava dando ordens, certo? Pode ser essa mulher que você viu, bagunçando
sua mente?”
“Eu acho que não,” Jason disse. “Se ela fosse minha inimiga, ela estaria pedindo
pela minha ajuda? Ela está aprisionada. Ela está preocupada sobre algum inimigo se
fortalecendo. Algo sobre a ascensão de um rei da terra no solstício —”
Annabeth virou para Quíron. “Cronos não. Por favor, me diga que não é isso.”
O centauro parecia infeliz. Ele segurou o pulso de Piper, checando sua pulsação.
Finalmente ele disse, “Não é Cronos. Aquela ameaça está acabada. Mas...”
“Mas o quê?”
Quíron fechou a bolsa de remédios. “Piper precisa de descanso. Deveríamos
discutir isso depois.”
“Ou agora,” Jason disse. “Er, Sr. Quíron, você me disse que a ameaça maior
estava vindo. O último capítulo. Possivelmente você não pode querer dizer algo pior
que um exército de titãs, não é?”
“Ah,” Rachel disse numa voz baixa. “Ah, gente. A mulher era Hera. É claro. Seu
chalé, sua voz. Ela mostrou-se para Jason no mesmo momento.”
“Hera?” O rosnado de Annabeth foi até mais feroz do que o de Seymour. “Ela
trouxe você? Ela fez isso com Piper?”
“Eu acho que a Rachel está certa,” Jason disse. “A mulher parecia uma deusa. E
ela vestia isso — essa capa de pele de cabra. É um símbolo de Juno, né?”
“É?” Annabeth franziu a testa. “Eu nunca ouvi isso.”
Quíron assentiu com relutância. “De Juno, o aspecto romano de Hera, mas em
seu estado guerreiro. A capa de pele de cabra era um símbolo do soldado romano.”
“Então Hera está aprisionada?” Rachel perguntou. “Quem poderia fazer isso à
rainha dos deuses?”
Annabeth cruzou os braços. “Bem, quem quer que seja talvez devêssemos
agradecê-los. Se eles podem calar Hera —”
“Annabeth,” Quíron alertou, “ela ainda é uma dos olimpianos. De várias
maneiras, ela é a cola que mantém a família dos deuses unida. Se ela realmente foi presa
e está em perigo de destruição, isso poderia abalar os alicerces do mundo. Isso poderia
desafinar a estabilidade do Olimpo, o que não nunca é bom nem nos melhores
momentos. E se Hera pediu ajuda a Jason —”
“Certo,” Annabeth rosnou. “Bem, sabemos que os titãs podem capturar um deus,
né? Atlas capturou Ártemis alguns anos atrás. E nas histórias antigas, os deuses
capturavam um ao outro em armadilhas a toda hora. Mas algo pior que um titã...?”
Jason olhou para a cabeça de leopardo. Seymour estava saboreando os lábios
como se a deusa tivesse um sabor melhor que um biscoito. “Hera disse que esteve
tentando quebrar os grilhões da sua prisão por um mês.”
“Que é o tempo que o Olimpo foi fechado,” Annabeth disse. “Então os deuses
devem saber que algo ruim está acontecendo.”
“Mas por que usar sua energia para me enviar aqui?” Jason perguntou. “Ela
limpou minha memória, estatelou-me na excursão da Wilderness School, e mandou para
você uma visão de sonho para vir me pegar. Por que eu sou tão importante? Por que não
simplesmente mandar umas chamas de emergência para os outros deuses — deixá-los
saber onde ela está para que eles a libertem?”
“Os deuses precisam de heróis para fazer sua vontade aqui embaixo na terra,”
Rachel disse. “Está certo, né? Os destinos deles são sempre entrelaçados com
semideuses.”
“É verdade,” Annabeth disse, “mas Jason se lembrou de uma coisa importante.
Por que ele? Por que pegar a sua memória?”
“E Piper está envolvida de algum jeito,” Rachel disse. “Hera lhe mandou a
mesma mensagem — Me liberte. E, Annabeth, isso deve ter algo em relação ao
desaparecimento de Percy.”
Annabeth fixou os olhos em Quíron. “Por que você está tão quieto, Quíron? O
que é isso que estamos enfrentando?”
O rosto do velho centauro parecia que havia sido envelhecido em dez anos numa
questão de minutos. As linhas em torno dos seus olhos estavam profundamente
gravadas. “Minha querida, nisso, eu não posso lhe ajudar. Desculpe-me, mesmo.”
Annabeth pestanejou. “Você nunca... você nunca escondeu informações de mim.
Até a última grande profecia —”
“Estarei no meu escritório.” Sua voz estava pesada. “Preciso de algum tempo
para pensar antes do jantar. Rachel, você ficará observando a garota? Chame Argos para
trazê-la à enfermaria, se quiser. E Annabeth, você devia falar com Jason. Conte para ele
sobre — sobre os deuses gregos e romanos.”
“Mas...”
O centauro virou sua cadeira de rodas e a rolou para o corredor. Os olhos de
Annabeth ficaram coléricos. Ela murmurou algo em grego, e Jason teve o
pressentimento que não era elogioso para centauros.
“Desculpe-me,” Jason disse. “Acho que minha presença aqui — eu não sei. Eu
baguncei as coisas vindo para o acampamento, de algum jeito. Quíron disse que ele
declarou um juramento e não podia falar sobre isso.”
“Que juramento?” Annabeth perguntou. “Eu nunca vi ele agir assim. E por que
ele iria me dizer para eu lhe falar sobre os deuses...”
Sua voz morreu. Aparentemente ele notou a espada de Jason acomodada na
mesinha de café. Ela tocou a lâmina cuidadosamente, como se pudesse estar quente.
“É ouro?” ela disse. “Você lembra onde a conseguiu?”
“Não,” Jason disse. “Como disse, não me lembro de nada.”
Annabeth assentiu como se tivesse acabado de bolar um plano um pouco
desesperado. “Se Quíron não ajudará, temos que descobrir as coisas por nós mesmos. O
que significa... Chalé Quinze. Rachel, você vai ficar de olho na Piper?”
“Claro,” Rachel prometeu. “Boa sorte, vocês dois.”
“Espere,” Jason disse. “O que tem no Chalé Quinze?”
Annabeth ficou de pé. “Talvez um jeito de conseguir sua memória de volta.”
Eles foram em direção a uma ala mais nova de chalés no canto sudoeste do campo.
Alguns eram luxuosos, com paredes brilhantes ou tochas em chamas, mas o Chalé
Quinze não era tão dramático. Parecia uma casa de campo antiquada com paredes de
lama e um telhado ímpeto. Na porta havia pendurada uma coroa de flores carmesim —
papoulas vermelhas, Jason pensou, embora não tivesse certeza como sabia.
“Você acha que é o chalé do meu pai?” ele perguntou.
“Não,” Annabeth disse. “É o chalé para Hipnos, o deus do sono.”
“Então por quê —”
“Você esqueceu tudo,” ela disse. “Se há um deus que pode nos ajudar a
descobrir perda de memória, esse é Hipnos.”
Dentro, mesmo já estando quase na hora do jantar, três crianças soavam
adormecidas debaixo de pilhas de cobertas. Um fogo vivo estalava na lareira. Sobre a
cornija pendia um ramo de árvore, cada galho pingando líquido branco numa coleção de
vasos de estanho. Jason estava tentado a pegar uma gota no seu dedo só para ver o que
era, mas deteu-se.
Uma música suave de violino tocava de algum lugar. O ar cheirava como
lavanderia limpa. O chalé era tão aconchegante e pacífico que as pálpebras de Jason
começaram a se sentirem pesadas. Uma soneca parecia uma grande idéia. Ele estava
exausto. Havia várias camas vazias, todas com travesseiros de pena e lençóis limpos e
colchas fofas e — Annabeth o cutucou. “Sai dessa.”
Jason pestanejou. Ele percebeu que seus joelhos estavam começando a dobrar.
“O Chalé Quinze faz isso com todos,” Annabeth avisou. “Se você me perguntar,
esse lugar é ainda mais perigoso que o chalé de Ares. Pelo menos com Ares, você pode
aprender onde as minas terrestres estão.”
“Minas terrestres?”
Ela se aproximou a criança roncando mais próxima e balançou seu ombro.
“Clovis! Acorde!”
A criança parecia um bebê. Ele tinha um topete loiro numa cabeça em forma de
cunha, com feições grossas e um grande pescoço. Seu corpo era sólido, mas ele tinha
pequenos braços finos como se nunca houvesse levantado algo mais pesado que um
travesseiro.
“Clovis!” Annabeth balançou mais forte, então finalmente bateu na sua testa
aproximadamente seis vezes.
“O-o-o quê?” Clovis reclamou, sentando e apertando os olhos. Ele bocejou
imensamente, e Annabeth e Jason bocejaram também.
“Pare com isso!” Annabeth disse. “Precisamos de sua ajuda.”
“Eu estava dormindo.”
“Você sempre está dormindo.”
“Boa noite.”
Antes que ele pudesse adormecer, Annabeth puxou seu travesseiro da cama.
“Não é justo,” Clovis reclamou humildemente. “Devolva.”
“Primeiro ajuda,” Annabeth disse. “Depois dorme.”
Clovis suspirou. Sua respiração cheirava como leite quente. “Certo. O quê?”
Annabeth explicou sobre o problema de Jason. Ela estalava os dedos sob o nariz
de Clovis para mantê-lo acordado o tempo todo.
Clovis deve ter ficado realmente animado, porque quando Annabeth acabou ele
não dormiu. Ele na verdade levantou e esticou-se, então sorriu para Jason.
“Então você não se lembra de nada, hein?”
“Só impressões,” Jason disse. “Sensações, como...”
“Sim?” Clovis disse.
“Como eu sei que não devia estar aqui. Nesse acampamento. Estou em perigo.”
“Hum... Feche seus olhos.”
Jason olhou para Annabeth, mas ela assentiu de forma tranquilizadora.
Jason sentiu medo de acabar roncando em um dos beliches para sempre, mas ele
fechou os olhos. Seus pensamentos tornaram-se obscuros, como se ele estivesse
afundando num lago escuro.
A próxima coisa que ele sabia, seus olhos cederam. Ele estava numa cadeira pelo
fogo. Clovis e Annabeth ajoelharam-se do lado dele.
“— Sério, tudo bem,” Clovis estava falando.
“O que aconteceu?” Jason disse. “Quanto —”
“Só alguns minutos,” Annabeth disse. “Mas foi tenso. Você quase dissolveu.”
Jason esperou que ela tivesse dito literalmente, mas sua expressão estava séria.
“Geralmente,” Clovis disse, “memórias são perdidas por um bom motivo. Elas
afundam na superfície como sonhos, e com um bom sono, eu posso trazê-las de volta.
Mas isso...”
“Letes?” Annabeth perguntou.
“Não,” Clovis disse. “Nem Letes.”
“Letes?” Jason perguntou.
Clovis apontou para o ramo de árvore derramando gotas leitosas sobre a lareira.
“O Rio Letes no Mundo Inferior. Dissolve suas memórias, limpa sua mente
permanentemente. É o ramo de uma árvore de álamo do Mundo Inferior, mergulhada no
Letes. É o símbolo do meu pai, Hipnos. Letes não é um lugar que você queira nadar.”
Annabeth assentiu. “Percy foi lá uma vez. Ele me disse que é poderoso o
bastante para limpar a mente de um titã.”
Jason estava subitamente feliz por não ter tocado o ramo. “Mas... não é meu
problema?”
“Não,” Clovis concordou. “Sua mente não foi limpa, e suas memórias não foram
enterradas. Elas foram roubadas.”
O fogo estalou. Gotas da água do Letes gotejavam nos copos de estanho na
cornija. Um dos outros campistas do Hipnos murmurarou no sono — algo sobre um
pato.
“Roubadas,” Jason disse. “Como?”
“Um deus,” Clovis disse. “Só um deus teria esse tipo de poder.”
“Sabemos disso,” disse Jason. “Foi Juno. Mas como ela fez isso, e por quê?”
Clovis coçou o pescoço. “Juno?”
“Ele quer dizer Hera,” Annabeth disse. “Por algum motivo, Jason gosta dos
nomes romanos.”
“Hum,” Clovis disse.
“O quê?” Jason perguntou. “Significa algo?”
“Hum,” Clovis disse novamente, e dessa vez Jason percebeu que ele estava
roncando.
“Clovis!” ele gritou.
“O quê? O quê?” Seus olhos alargaram-se. “Estávamos falando sobre
travesseiros, certo? Não, deuses. Eu lembro. Gregos e romanos. Certo, pode ser
importante.”
“Mas eles são os mesmos deuses,” Annabeth disse. “Apenas com nomes
diferentes.”
“Não exatamente,” Clovis disse.
Jason sentou-se, agora muito mais acordado. “O que você quer dizer, não
exatamente?”
“Bem...” Clovis bocejou. “Alguns deuses são apenas romanos. Como Jano, ou
Pomona. Mas até os maiores deuses gregos — não foi só o nome deles que mudou
quando se moveram para Roma. Suas aparências mudaram. Seus atributos mudaram.
Eles até tiveram personalidades levemente diferentes.”
“Mas...” Annabeth vacilou. “Ok, então talvez as pessoas os viram
diferentemente através dos séculos. Isso não muda quem eles são.”
“Com certeza sim.” Clovis começou a adormecer, e Jason estalou os dedos sob
seu nariz.
“Estou indo, mãe!” ele gritou. “Digo... Sim, estou acordado. Então, hã,
personalidades. Os deuses mudam para refletir às suas culturas locais. Você sabe disso,
Annabeth. Digo, nesses dias, Zeus gosta de ternos feitos por alfaiates, realidade na
televisão, e aquele restaurante de comida chinesa na Rua Vigésima-oitava leste, certo?
Era o mesmo nos tempos romanos, e os deuses eram romanos tanto quanto eles eram
gregos. Era um grande império, conservado por séculos. Então naturalmente os seus
aspectos romanos ainda são uma grande parte de se caráter.”
“Faz sentido,” Jason disse.
Annabeth balançou a cabeça, iludida. “Mas como você sabe isso tudo, Clovis?”
“Ah, eu gasto muito tempo sonhando. Eu vejo deuses neles o tempo todo —
sempre mudando de forma. Sonhos são fluidos, você sabe. Você pode estar em lugares
diferentes de uma só vez, sempre mudando identidades. É como ser um deus, na
verdade. Como recentemente, eu sonhei que estava assistindo uma apresentação do
Michael Jackson, e então eu estava no palco com Michael Jackson, e estávamos
cantando essa música, e eu não conseguia lembrar as palavras para ‘The Girl Is Mine.’
Ah, gente, foi tão embaraçoso, eu —”
“Clovis,” Annabeth interrompeu. “De volta a Roma?”
“Certo, Roma,” Clovis disse. “Assim nós chamamos os deuses pelos seus nomes
gregos porque são as suas formas originais. Mas dizer que seus aspectos romanos são
exatamente o mesmo — isso não é verdade. Em Roma, eles se tornaram mais militares.
Eles não se misturavam muito com mortais. Eles eram severos, mais poderosos — os
deuses de um império.”
“Como o lado negro dos deuses?” Annabeth perguntou.
“Não exatamente,” Clovis disse. “Eles erguiam-se para a disciplina, honra, força
—”
“Coisas boas, então,” Jason disse. Por algum motivo, ele sentia a necessidade de
falar pelos deuses romanos, embora não tivesse certeza do que isso importava para ele.
“Digo, disciplina é importante, certo? É o que fez Roma continuar por tanto tempo.”
Clovis lhe deu um olhar curioso. “É verdade. Mas os deuses romanos não eram
muito amigáveis. Por exemplo, meu pai, Hipnos... ele não fazia muito a não ser dormir
nos tempos gregos. Nos tempos romanos, eles o chamavam de Somnus. Ele gostava de
matar as pessoas que não ficavam alerta aos seus trabalhos. Se eles adormecessem na
hora errada, bum — eles nunca acordariam. Ele matou o piloto de Enéias quando eles
estavam saindo a barco de Troia.”
“Cara legal,” Annabeth disse. “mas eu ainda não entendo o que isso tem a ver
com Jason.”
“Nem eu,” Clovis disse. “Mas se Hera pegou suas memórias, só ela pode
devolvê-las. E se eu tivesse que encontrar a rainha dos deuses, eu esperaria que ela
estivesse mais num ânimo Hera do que num ânimo Juno. Posso voltar a dormir agora?”
Annabeth olhou para o ramo sobre o fogo, pingando água do Letes nos vasos.
Ela parecia tão preocupada, Jason queria saber se ela estava considerando uma bebida
para esquecer seus problemas. Então ela levantou e jogou para Clovis seu travesseiro.
“Obrigada, Clovis. Vemos você no jantar.”
“Posso ter serviço de quarto?” Clovis bocejou e topou-se no seu beliche. “Me
sinto meio... zzzz...” Ele caiu com sua cabeçada no ar e seu rosto enterrou-se no
travesseiro.
“Ele não vai sufocar?” Jason perguntou.
“Ele ficará bem,” Annabeth disse. “Mas estou começando a achar que você está
em sérios problemas.”
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